Conferências. Sou absolutamente viciada em conferências e estou no sítio certo para alimentar este vício. Nos dias 23 e 24 de maio fui à conferência Women in Tech que se realizou, este ano, no Computer History Museum em Mountain View.

Computer History Museum

Comecemos pelo Computer History Museum. Já o visitei no meu aniversário em 2017, e é um local que aconselho muito a visitares se vieres a Silicon Valley.

Este museu preenche facilmente uma tarde inteira. É grande, super bem organizado e com muita coisa para ler e observar.

Passa em revista toda a história da computação e é mágico ver que tanta tecnologia teve mulheres na sua gênese.

Se tens curiosidade em saber mais sobre computação e tecnologia, aconselho muito a leres o livro The Innovators do Walter Isaacson. Está traduzido em Português!

Conferência Women in Tech

Mas sobre a conferência.

Adoro conferências, como já disse. Sinto-me sempre muito inspirada e motivada sempre que vou a uma.

O meu marido já brinca comigo a dizer que adora ver-me chegar a casa depois de uma conferência. Venho com mil e uma ideias, e muitas reflexões sobre o meu negócio, mas sobre a tecnologia e o mundo em geral.

E esta não foi excepção.

Nunca tinha ido a uma conferência da Women in Tech, apesar de este ano estarem a comemorar o quinto aniversário.

Foram dois dias de muita inspiração e muito networking.

Primeiro Dia

No primeiro dia conheci uma mulher freelancer, consultora em marketing que partilhou comigo a dificuldade em criar conteúdo realmente útil na proporção certa de consumo de tempo.

Falei com ela que, mesmo eu, que trabalho precisamente com produção de conteúdo, quantas vezes não sinto que estou a investir demasiado do meu tempo em produzir conteúdo que depois não tem resultado?

Não chegámos a nenhuma resposta, mas é sempre tão bom e importante refletir sobre desafios.

No primeiro dia também fiquei a conhecer o livro Alpha Girls de Julian Guthrie que quero muito ler. Nesta opening keynote, Julian Guthrie falou de como as mulheres se sentem na tecnologia e como é que são responsáveis de tantos feitos e primeiros passos que são, depois, ofuscadas pelos homens que vêm depois. Depois do Brotopia que estou a ler agora, este está na minha lista de leituras sobre Silicon Valley.

Neste primeiro dia voltei também a rever a Kara Goldin, a fundadora da marca Hint. Falo dela no vídeo desta semana, clica aqui para ver. Para além de adorar a água, adoro a história por detrás desta empresa.

O que achei particularmente interessante na Women in Tech foi ver os pitchs de algumas startups e de o público poder votar na sua favorita, juntamente com um júri (composto por mulheres!) relacionado com bancos, incubadoras e ventures.

Adorei a ideia da Curah App, que pretende ajudar a pôr em contacto freelancers na área da beleza e do bem-estar com os potenciais clientes e salões.

Segundo Dia

No segundo dia estive mais de uma hora a falar com uma rapariga francesa que está a dar a volta ao mundo à procura de reflexões e metodologias relacionadas com a educação.

Ela procura criar um projeto que modernize a educação e que impulsione o empreendedorismo e o pensamento crítico e autodidata das crianças. Para isso, está literalmente a estudar o que se faz na educação nos cinco cantos do mundo!

Fiquei em contacto com ela pra tentar levar este conceito para Portugal de alguma forma. E aproveitei, claro, para desenferrujar o meu francês!

Neste segundo dia, durante toda a hora de almoço, houve uma série de workshops o que achei genial, para tornar a aprendizagem bem mais prática.

Eu escolhi assistir ao workshop da Pasha Cook sobre marketing pessoal, um assunto pelo qual sou completamente apaixonada. Num registo informal enquanto acabavámos de almoçar, estamos ali a trocar ideias de como nos podemos apresentar e vender melhor.

O final da conferência foi arrebatador a nível de inspiração mas também de motivação. Tivemos Kai Morton, uma jovem de 19 anos, programadora, que foi dar uma “chapada de luva branca” sobre a geração Z. Temos que estar preparados para absorver esta geração, com tudo o que ela é, e o mercado de trabalho está longe de saber como lidar com os jovens.

Falou-se também da importância de nichos (algo que não me canso de falar, até tenho uma aula inteirinha sobre isto no curso online Descobre a tua Área Profissional no Digital do Nomadismo) com a Micki Krimmel.

Mas diria que a cereja em cima do bolo estava para chegar com a Andrea Barrica, fundadora da O.School. Andrea trouxe para a conferência o tema da sexualidade, o facto de abordagens sobre a vida sexual feminina ainda serem tão pouco apresentadas na tecnologia e em Silicon Valley. Fazendo a ponte com a geração Z falada pela Kai Morton, a nova geração está cada vez mais atenta à questão sexual e a tecnologia pouco ou nada está a dar soluções e ferramentas para as mulheres saberem lidar com a sua intimidade.

Por fim, a closing keynote esteve a cargo da Heidi Zak, co-fundadora da ThirdLove, uma marca de lingerie para mulheres reais. A conferência fechou sobre a positividade, sobre a aceitação de cada corpo e quase como um manifesto contra as Victoria’s Secret desta vida que destorcem a mulher real.

Quanto custa ir a uma conferência em Silicon Valley?

Os preços das conferências variam E MUITO.

Para a Women in Tech os bilhetes custavam $199, sendo que este valor inclui os dois dias de conferência, coffee breaks e o almoço.

A conferência Women in Tech é uma conferência organizada pelo Silicon Valley Forum em parceria com a IBM.