Minimalismo: uma das melhores coisas que aprendi enquanto nómada digital

Cada vez mais se fala de minimalismo, mas o consumismo continua a ser uma das maiores armadilhas da sociedade. Muitos são aqueles que acabam por comprar livros ou pagar a alguém que as ensine a serem minimalistas.

Atenção, nada contra quem monetiza um conhecimento e algo que acredita que pode ajudar outros. Aliás, até incentivo a que isso aconteça. Uma das mensagens que mais tento passar no projeto Nomadismo Digital é precisamente essa:

todos temos ou sabemos algo que pode ser útil para outras pessoas. Se isso tem um valor para quem precisa, também tem que ser e estar associado a um valor de compra.

No entanto, quando o assunto é minimalismo, eu acho que uma das melhore formas de aprender é 100% gratuita. Não é ótimo?

Quem me conheceu há apenas 2 ou 3 anos, lembra-se de mim com uma grande consumista. Comprava muitos livros, vestidos, sapatos, vernizes e demais acessórios. Antes de começar a explicar como é que hoje posso falar de minimalismo, deixem-me também falar dos livros.

Coloquei de propósito os livros na mesma frase que vestidos, sapatos e vernizes. Muitas são as pessoas que compram dezenas de livros por mês e acham que são “minimalistas” porque não gastam rios de dinheiro em bens ditos “mais fúteis”.

Não querendo entrar num tema polémico ~ mas acabando por fazê-lo ~, os livros são também um bem de consumo. E se forem, tal como eu, pessoas que gostam de ler, podem ser facilmente aliciadas a comprar todo e qualquer livro (por mais rico e informativo que ele seja), porque o marketing relacionado com a cultura é um dos mais inteligentes.

Portanto, eu era uma pessoa que gastava muito dinheiro por mês em coisas que me davam prazer. Não comprava coisas caras, mas coisas que me proporcionavam prazer em usar ou consumir. Muitos livros, muitas roupas fofinhas e queridas.

No entanto, tudo mudou em 2014

O ano de 2014 foi o ano em que, perante uma total insatisfação com a faculdade, comecei a procurar formas de ganhar dinheiro na Internet, tendo descoberto pessoas que trabalham remotamente por conta própria. Foi o ano que marcou o meu início como freelancer.

Nesse ano passava mais tempo a trabalhar para realizar esse sonho do que a gastar dinheiro em lojas. Surgiram também as viagens mais constantes: se nos anos anteriores viajava uma ou duas vezes por ano, em 2014 foi o ano em que comecei a viajar mais vezes.

O prazer que procurava em bens materiais começou a surgir através das viagens e dos planos relacionados com a minha atividade profissional.

A tendência deu uma volta de 180° e comecei a querer vender todas as minhas coisas. Hoje viajo só com uma mala (aliás, mudei de continente apenas com uma mala, algo impensável há uns anos!), com um e-reader e um portátil recheado de PDF’s. Até o meu marido tem mais roupa que eu!

O que é o minimalismo afinal?

Para mim, o minimalismo não é ter uma sala bonita toda branca e bonita ~ mas em que cada móvel custa mais do que um ordenado mensal ~ ou viver com nada. É o perfeito equilíbrio dos bens materiais e do nosso estado de espírito.

Minimalismo é perceber o que é que precisamos para estar feliz. Envolve ter bens materiais, mas os bens materiais certos, os indispensáveis, os únicos que vão realmente contribuir para o nosso bem-estar.

Se só precisamos de dois pares de sapatos diferentes durante o ano todo, de nada adianta ter oito. Se só precisamos de dois casacos, de nada adianta ter dez.

Ser minimalista é no fundo perceber aquilo que precisamos para sermos felizes, e só guardar e manter aquilo que realmente precisamos. Parte integrante do trabalho necessário de autoconhecimento, o minimalismo foi algo que aprendi de forma natural ao perceber que o que me proporciona prazer real e duradouro não são experiências de consumo pontuais.

Continuo a gostar de comprar coisas bonitas para a minha casa e roupa bonita. Mas trabalho constantemente para encontrar o perfeito equilíbrio entre a quantidade e a necessidade, e isso faz com que consiga poupar dinheiro e tempo.

São muitas as vantagens do minimalismo saudável mas, como em qualquer estilo de vida cabe a cada pessoa avaliar o que precisa e não precisa de ter e ser para estar satisfeito.