A pressão do ser saudável e comer bem

As redes sociais e a facilidade de criar e partilhar conteúdo online trouxeram muita coisa boa. Uma delas foi a consciencialização de que é preciso ter uma imagem saudável. Antes que me digam que posso estar a dar a entender de que é bom criar uma camada fingida de nós próprios só para aparentemente sermos mais ou melhores, não é disso que falo.

Também não quero insinuar que todas as pessoas alimentam-se de forma saudável só para mostrar aos outros. Longe disso!

O que acredito é que muitas pessoas tomaram consciência de que é possível ter uma alimentação mais saudável e um estilo de vida menos sedentário aplicando algumas técnicas e dicas bem simples.

E isso não é bom? Claro que é. Se é! A multiplicidade de bloggers e influenciadores ligados ao desporto e à alimentação saudável tornam os conteúdos relacionados à saúde e bem-estar mais acessíveis. E só podemos estar muito agradecidos a isso.

O movimento healthy e a ortorexia

São cada vez mais as pessoas que procuram comer bem, diminuir o consumo de carne, privilegiar alimentos biológicos, evitar a lactose, consumir produtos sem glúten e tantas outras coisas. Mais do que um modo alimentar, as pessoas levam essa tendência além cozinha com a adoção de produtos naturais e locais. E isso é sinónimo de coisas boas, sustentáveis e saudáveis.

No entanto, se algumas pessoas tentam seguir uma alimentação saudável para cuidar delas próprias e do ambiente, outras levam isso a um extremo. E a falta de equilíbrio leva a transtornos alimentares. A ortorexia é a definição de um transtorno alimentar de quem leva padrões saudáveis ao extremo. O extremismo nunca é sinónimo de coisa boa, mesmo quando falamos de alimentação saudável.

A pressão do comer bem e ser saudável

Há quem fale de moda e há quem recuse a associação entre “tendência” e “alimentação saudável”. Eu acredito que há muito de moda, mas não acho que seja propriamente mal. Como disse no início deste post, o efeito divulgação e adoção em massa (= moda) fez com que as pessoas tomassem consciência de que é importante estar bem consigo mesmas e ter atenção à saúde. Isso é ótimo.

De forma pessoal, o que me entristece quando o assunto é alimentação saudável, é a pressão social. Notei recentemente uma “polémica” com a blogger Catarina Beato que fez recentemente um vídeo em parceria com os Manhãzitos. Para quem não conhece, a Catarina Beato, autora do blog Dias de Uma Princesa, passou por um longo processo de mudança alimentar que a levou a perder peso e a ter um estilo de vida mais saudável.

Não conheço a Catarina nem acompanho assim tanto o trabalho dela e mesmo acreditando que a associação direta$$ com a marca de bolos podia ter sido evitada, não acho que a Catarina deva esconder que come ou dá bolos, bolachas e o que quer que seja aos seus filhos. Falamos aqui de uma pessoa que, tendo em conta o seu percurso, deve ter muito conhecimento e consciência do que é e deve ser o equilíbrio alimentar da sua familia. E se lhe apetece comer um bolo, um Bollycao ou um pacote de Bolacha Maria, isso significa logo que é uma pessoa não saudável e merece ser crucificada pelos seus leitores?

Pelos vistos sim. E isso sim, é a parte triste desta tendência que só devia influenciar as pessoas a fazer e viver de forma bem, feliz e saudável.

Para concluir

Eu odeio cozinhar. A sério, juro. Odeio. Evito ao máximo cozinhar e não tenho paciência nenhuma. Mesmo nenhuma, zero. Desde há uns anos para cá, ganhei no entanto consciência de que a alimentação joga um papel importante no meu dia-a-dia, sobretudo na minha produtividade.

Como muita fruta (adoro…e bem, não é preciso cozinhar, o que me faz ainda amar mais). Bebo muita água. Tento comprar só produtos biológicos (vá, pelo menos as porcarias que como tento que sejam sem OGMs), mas hoje comi um Kit Kat. E ontem comi cereais de chocolate. Mas isso não é sinónimo obrigatoriamente de ser uma pessoa horrível: como muita salada e faço refeições e tento não petiscar durante o dia. Evito fast-food. E sim, este é o meu equilíbrio alimentar.

A alimentação saudável deve ser uma preocupação, mas nunca uma obrigação a menos que se tenha alguma exigência de saúde. Eu felizmente não tenho nenhum transtorno alimentar, nem intolerâncias, nem excesso de peso. Como aquilo que gosto e me apetece, mas gosto de seguir blogs de alimentação saudável (uma nota especial para a Vânia do Made by Choices que tem um dos projetos mais bonitos em Portugal e também para a Cláudia do The Officinalis que tem um podcast fantástico), nem que seja para me babar para as fotos e sonhar um dia ter paciência para fazer metade daquilo.

Vão-me dizer provavelmente que não é difícil fazer aquelas receitas e que não é preciso muito tempo. Eu sei disso. Mas não tenho paciência para cozinhar e sou feliz – e saudável – assim. E é isso que as pessoas que têm que perceber: as tendências e as modas devem servir para nos inspirar a encontrar o nosso próprio e único equilíbrio e nunca para nos ditarem regras ou caminhos.

Usem e deixem-se influenciar pelos excelentes conteúdos que encontrem e criem o equilíbrio dentro de vocês que vos leve à vossa felicidade. À vossa. Não à minha, da Catarina Beato, da Vânia do Made by Choices ou de outro qualquer blogger que sigam.

Ser saudável e feliz é encontrar o equilíbrio entre saúde, bem-estar e prazer. E essa equação, só vocês podem encontrar a solução.