Trabalhar em casa não é trabalhar, pois não?

Não sei se alguém desse lado já ouviu esta frase ou se já a sentiu. Esse sentimento de que trabalhar em casa não é trabalhar já o tive muitas vezes. Quando me perguntam no que trabalho e eu respondo: sou freelancer em marketing digital e trabalho remotamente… ? ? ? ?

As pessoas ainda não estão habituadas a que o trabalho não seja sinónimo obrigatoriamente de estar num escritório.

Trabalhar em casa (ou num café, num espaço de cowork,…) ainda é visto como preguiça, treta ou privilégio.

As vantagens de trabalhar remotamente trazem com elas também essa desvantagem. Este estilo de trabalho é ainda pouco reconhecido e considerado válido.

Ainda são muitas as empresas que continuam a ter anúncios de trabalhos que podem permitir aos seus empregados de trabalhar a partir de casa…mas não aceitam que assim seja. Em alguns casos, pode ser uma exigência da política interna da empresa ou algo do gênero, mas em muitos casos ainda é porque a ideia de estar em casa não é compatível com trabalho e produtividade.

As vantagens de trabalhar remotamente são várias e influenciam vários ângulos:

  • o ambiente: não é necessário usar transporte para ir até ao local de trabalho;
  • a saúde: o estresse é geralmente menor e é mais fácil ter um melhor equilíbrio trabalho e vida pessoal;
  • a produtividade, sim: trabalhar em casa é sinónimo não só de trabalho, como ainda de produtividade.

Contudo, se fizer uma lista das vantagens e das desvantagens, a coluna das desvantagens vai ser maior.

Trabalhar em casa exige muita organização, muita rigidez e controlo no tempo. Faz com que se passe também muito tempo sozinho. A procrastinação acaba por estar bem “mais à mão” do que quando se está num escritório.

Trabalhar em casa

Trabalhar em casa não é trabalho

Felizmente que os meus pais, marido e família próxima sabem e percebem bem o trabalho que faço e sabem que quando(pelo menos em 90% do tempo) estou à frente do computador estou a trabalhar.

Não me incomodam e não me pedem nada, mas nem sempre é assim.

Para algumas pessoas, estar em casa nunca pode ser sinónimo de estar realmente a trabalhar. Estar em casa é estar disponível: e acabamos muitas vezes por ser as primeiras pessoas a quem ligam para fazer pedidos para levar o carro à oficina ou para fazer compras.

O que eu expliquei a toda a minha família próxima, logo quando decidi trabalhar remotamente, foi que entre tal e tal horas eu estava a trabalhar. Mesmo que isso implicasse estar sentada à mesa da sala de pijama. Tal como não me ligariam entre as 9h e as 18h se estivesse num escritório, pedia explicitamente que não me incomodassem, mesmo que estivessem na divisão ao lado da minha.

Eu sempre morei e tive em casas de pessoas compreensivas nesse sentido, mas conheço muita gente que passa por situações que torna impossível de ser produtivo enquanto se está em casa.

Trabalhar em casa não é a melhor coisa do mundo

Existem colegas meus nómadas digitais que tentam pregar o trabalho remoto como a melhor coisa do mundo.

Eu não concordo que seja: ainda hoje, luto para conseguir trabalhar dentro de horários mais ou menos fixos e fazer-me cumprir aquilo que estipulei. Muitas vezes não cumpro o que me deixa com trabalho acumulado e lá se vai o dia de relax que tinha pensado para hoje.

Mas mesmo perante as desvantagens, continuo a não querer mudar de estilo de vida. Contrariamente ao trabalho tradicional, enquanto trabalhadora remota sou eu que controlo tudo (incluindo as desvantagens); sou eu a culpada da procrastinação mas também a responsável pelo sucesso final. E não há desvantagem que deite abaixo esta que é a maior vantagem de trabalhar remotamente.